Sobre bolos e acidentes fatais

Semana passada assisti Cake, mas não tinha tido vontade de escrever sobre ele ainda.

Cake

Hoje decidi que ia escrever sim. Mas ia contar o filme mesmo, então prepara que é só SPOILER daqui pra baixo.

(Mentira)

Antes de falar do filme, eu tava pensando sobre o nome do mesmo. Um dos meus filmes favoritos e que não é conhecido é Snow Cake. Se bolo já é bom, imagina com neve *-* Resolvi que vou falar de Snow Cake em outro post, mas tive que mencionar ele aqui por conta da semelhança, não só no título.

Eu vi que Cake é um drama com a Jennifer Anniston. Fiquei levemente curiosa, pois estou nessa vibe de dar-uma-chance-pra-ator-de-comédia-em-dramas-na-esperança-de-descobrir-o-próximo-Matthew-McConaughey. Foi quaaaaase com o Bradley Cooper em American Sniper (ele ficou bem caracterizado a ponto de eu esquecer The Hangover, que eu nunca vi todo anyway, mas ainda faltou um pouquinho), mas com a Jennifer nem tanto. Não que ela não estivesse bem em Cake, mas faltou um pouco de profundidade, eu acho. Bom, vamos lá.

 

(Agora sim, SPOILERS)

 

Cake, como na imagem acima vocês podem ver, se trata de uma mulher que frequenta um grupo de apoio, e depois que uma das outras mulheres do grupo se mata, ela começa a ter visões da mesma.

E é isso mesmo. O filme começa com as mulheres reunidas no tal grupo de apoio, e logo vemos que quem se matou foi a personagem da Anna Kendrick (LINDA, SOU FÃ HAHA :x). Todas estão falando de seus sentimentos, e quando chega a vez da Jennifer (Claire no filme), ela não fala dos seus sentimentos, mas sim aponta algumas particularidades do suicídio de Nina (a Anna), como ela ter se jogado no meio de um cruzamento de estradas, caído num caminhão e que só foram perceber que havia alguém morto ali quando já estava longe, em outro estado, dando um mega trabalho para o marido trazer o corpo de volta. Resumindo, you go Nina! Pontos pela execução.

E aí as coisas começam. Claire pega um táxi e vai deitada no banco de trás. Claire não dirige, ela tem uma espécie de ‘cuidadora’ que dirige pra ela, além de cuidar da casa. Claire só anda no carro no banco da frente se ele estiver todo rebaixado. Claire tem cicatrizes no rosto e na barriga. Ela faz fisioterapia porque tem placas pela perna. Esses são os detalhes do filme, que realmente foca em algumas poucas aparições de Nina, uma Nina feliz e ‘brincante’, que faz com que Claire vá atrás do viúvo.

O que eu mais gostei mesmo no filme é a falta da enorme necessidade que os americanos tem de explicar tuuuuudo o tempo todo. Isso que estraga, por exemplo, remakes como o de Let The Right One In. Nesse filme, não tem isso, apenas detalhes que deixam a gente imaginando que grande catástrofe aconteceu na vida dessa mulher.

Mesmo quando, depois da metade do filme, fica claro que ela perdeu o filho num acidente que também a debilitou física e mentalmente, a ponto de não conseguir mais nem morar com seu marido e ter que ser cuidada pela maravilhosa Silvana, eles nunca falam exatamente o que aconteceu, ou mostram. Só ficam as dicas mesmo. Até o responsável pelo acidente aparece para tentar pedir desculpas, mas mesmo assim, não fica claro exatamente o que aconteceu.

O que, de novo, me remete a Snow Cake. QUE ~SEMELHANÇA! A do título também é MEGA parecida! Em Cake, em uma das aparições da Nina, elas comentam um exercício do grupo de apoio onde devem falar o que gostariam mais de fazer se não estivessem em depressão. Nina comenta que o que mais gostaria de fazer era um bolo para o aniversário do filho. No final do filme, Claire arranja um bolo (feito por uma aleatória que ela achou e deu carona e levou pra casa e que depois roubou ela, mas não sem antes fazer o bolo) e leva para o ex marido de Nina e pro filho, no aniversário dele. Depois que entrega o bolo e volta pro carro, ela coloca a cadeira no lugar e o filme acaba.

No IMDb a nota do filme foi 6.5, e eu devo concordar. A ideia do filme é até legal, e ele tinha tudo pra deixar a gente triste e tal, mas não chega lá. Mesmo assim, gostei da atuação da Jennifer Anniston, espero vê-la num papel mais desafiador ainda.