Sobre morar no Erre Jota parte II

Sexta feira, dia 21 de fevereiro de 2014 fez UM ANO que eu moro no Rio.

Coincidentemente acabou rolando um encontro de despedida do Diley (que eu conheço a pouco tempo, mas já considero ~pakas), então lá estavam eu, Diley, Jany e Luana comendo uma boa pizza em Santa Teresa.

Mas sim, um ano. Eu lembro que eu tinha feito um daqueles posts rápidos e rasteiros sobre morar no Rio, aí decidi fazer uns comentários sobre como estão as coisas.

“Meu patins novo chegou e ontem foi usado pela primeira vez (estou me sentindo um pouco Bliss/Babe Ruthless) …” Meus patins tem quase um ano, huh! Mas não me sinto mais nem um pouco Bliss/Babe Ruthless. Muita coisa rolou no Derby, e hoje em dia a verdade é que eu tô parada. Sem contar com um sábado de janeiro que rolou jogo, eu não patinei esse ano. Mas é provavel que eu volta ao ~normal, ainda amo Derby e faz bem pra saúde HAHA

“…e hoje foi a minha aula inaugural da pós.” VISH. Fiquei sabendo na aula da semana passada que nosso curso tá sem coordenador HAHA >( Mas o que importa é que em abril começa o ÚLTIMO módulo da pós :OOO E essa semana começa uma das matérias mais importante pra mim: Captação de recursos para eventos, que é sobre o que eu pretendo escrever no meu artigo de conclusão da pós (!!!!)

“Tive a certeza de que quero organizar eventos hoje, quando encontrei gente que parece comigo, e que levam realmente a sério o que muitos acham que qualquer um pode fazer a qualquer hora e em qualquer lugar.” Se eu tinha tido a certeza de que era isso que eu queria na minha primeira aula, imagina quando participei do meu primeiro festival de música!!! O Novas Frequências não é um festival grande em tamanho de público, mas o enriquecimento que ele trouxe pra mim, assim como traz pra todo mundo que tem contato com o mesmo, é ENORME. Amei muito todos os 10 dias do festival e tudo o que ele foi.  Esse ano é ~rezar pra ser chamada de novo \o/

“Ainda me falta um pouco de coragem (de vencer a preguiça) pra ir me aventurar por aí …” Esse item ainda precisa melhorar, mas considerando que entrei o ano super ~alegre, depois de ter ido numa festa em Santa Teresa, ter parado na praia, pulado ondinha, caído e muito mais, dá pra ver que tô no caminho certo.

Morar no Erre Jota tá sendo isso mesmo, não é minha cidade ideal, não é o clima ideal, nem todas as pessoas são legais (cariocas e seu estilo único inconfundível) mas vem se mostrando uma ótima aventura, para o lado bom E ruim. Vamo só ver se dura até a próxima? HAHA

Diário de uma preguiçosa

Olha, vontade de escrever não falta, problema sempre vai ser a preguiça.

Mas falando sério, até que tô melhorando. Entrei na academia (apesar de ainda não ter conseguido ir todos os dias da semana), tô estudando direitinho, indo aos treinos (quando não estou ~trabalhando ou viajando) e até consegui me comprometer com o derby ainda mais.

Falando nisso, faltam 34 dias pro Brasileirão de Roller Derby. Esse ano vai rolar ~campeonato ( infelizmente com poucos times, já que precisa de mais geeeente jogando) e bootcamp. A ideia de viajar pra SP com um grupão de amigas lindas que jogam pra caramba e são tudo de bom é bem feliz. Mas, pra ser sincera, achei que fosse estar mais empolgada. Primeira vez que vou jogar ~sério, competindo (até comecei academia por conta disso), mas assim, tá faltando alguma coisa. Espero que eu descubra o que é até lá.

Ainda tô sem trabalho ~fixo, mas consegui fazer uma ponta no Rock In Rio e apesar de todos os pesares (pouco dinheiro, muito cansaço e algum aborrecimento) foi demais, definitivamente o que eu quero fazer. Mas por enquanto tá difícil conseguir algo na área, o jeito está sendo procurar qualquer coisa mesmo que me ajude a me manter no Rio.

E vai rolar uma reforma no apartamento onde tô morando. Tô super empolgada, adoro mudança de visual e não vejo a hora de dar um up aqui. Tadinho, o ap é bem mais velho que eu e faz um bom tempo que não rola uma reforma (se é que já rolou alguma vez na vida).

Planos para 2014 já estão rolando. O que me fez pensar sobre anos bons e ruins. Um dos melhores anos da minha vida foi 2004. Nessa altura do campeonato nem lembro bem direito o porquê, só sei que por bastante tempo tive essa impressão. Eu estava na oitava série, estudava de manhã no Auxiliadora pela primeira vez e o Rogério ainda era uma grande parte da minha vida. Devia ter algo a ver. Não sei. Daí não lembro muito bem das coisas, porém parece que os anos ímpares começaram a fazer mais diferença: 2005 mudei de escola, fiz 15 anos (e papai morreu :////), 2007 entrei na faculdade, 2009 fui pro Canadá *-*, 2011 passei meu niver em NYC num show de uma das minhas bandas favoritas… e 2013 me mudei pro Rio e participei do RiR. Mas tenho a forte impressão de que 2014 vai ser um desses anos que vai marcar, estilo 2004, mesmo que seja por algo que eu não vá mais lembrar em dois, três anos. O que importa é que a sensação é boa e que tem tempo pra fazer as coisas realmente acontecerem ano que vem, mesmo sendo um ano par.

E é basicamente isso. A preguiça continua ditando minha presença aqui, mas quem sabe né. Talvez eu volte com mais frequência pra falar de coisas aleatórias da minha vida. Ou até de coisas mais interessantes do mundo, como a minha próxima fantasia de halloween HEHHE.

A minha sonolência

O Brasil acordou.

Essa frase vem brotando na minha timeline há pelo menos 10 dias. Na minha não, aposto que na de todo mundo.

Não vim aqui falar de política e reivindicações porque, sinceramente, não me sinto informada o bastante para tal. Hoje estou tão sincera que admito que não entendo muito de política, num todo. Muito do que eu sei foi o Eduardo(meu amigo) que me explicou.Não sei se sou de direita ou de esquerda. Só sei o que eu acho, a partir das informações que julgo serem verídicas. Mas vim aqui falar do que sei, e da minha opinião.

Bom, quando as manifestações começaram em SP, minha primeira reação foi o espanto. Primeiro porque minha mãe ainda estava por lá, e perto da Paulista. Segundo porque né, nunca tinha visto tanta gente nas ruas. Mas essa passeata, do dia 06/07, não lembro, eu não acompanhei direito. Para falar a verdade, só comecei a acompanhar de perto as do dia 13, que foi quando eu decidi que não ia pra aula, justo quando a galera daqui do Rio foi pra Candelária. Acredito também que foi o dia em que a reporter da Folha levou uma bala de borracha no olho em São Paulo.

Não lembro datas exatas, mas isso não interfere no que eu quero falar. O que eu quero falar é do que eu senti quando alguns amigos chegaram me falando #vemprarua, dizendo que eu tinha que ir. Realmente, praticamente todo mundo que eu conheço no Rio estava indo. Isso foi numa segunda ou terça, quando todo mundo tava se programando pra ir pra grande passeata do dia 20/06 (que também ia rolar em Manaus).

Fato é que naquela altura do campeonato eu já estava enojada. Minha timeline era 100% gente indignada, gente acordada, gente compartilhando TODO tipo de informação, todos os textos, todos os videos, todos os relatos. Primeiro fiquei chocado com amigos agindo como se ‘tivessem nascido ontem’ , mortos de indignados com fatos que eles nem se deram o trabalho de confirmar. Gente defendendo argumentos que não entendiam, sendo imparciais e irredutíveis. Cara, não sei ser assim. Me acho muito ‘justa’, procuro por fontes confiáveis e, mesmo assim, se a informação é da TÃO TERRÍVEL mídia que só quer saber de enganar o povo, procuro absorver só o essencial, sem deixar me levar por exatamente tudo o que falam.

Aí decidi que não, que não #vouprarua, não acho válido não. As reivindicações em sua maioria são válidas, fiquei emocionada quando a tarifa realmente baixou na quinta (ontem), mas não queria sair na rua com esses tipos de pessoas tão deturpadinhas (não todas, é claro!).

Na quinta, tava todo mundo eufórico, principalmente o pessoal de Manaus, que ia viver seu segundo Ato (o primeiro realmente grande). Enquanto o clima da galera de lá era “vamo lá galera, vamo arrasar, sem violência, sou da paz /pausa pra foto” o pessoal daqui era mais “então, quem vai? onde a gente se encontra? qual o esquema?”. No auge da minha falta de paciência, já tinha desistido até de acompanhar as manifestações pela tv.

Foi quando meu bom e velho amigo Eduardo resolve me chamar pra manifestação, tamanha 19h (aqui começou 17h). Quando eu li a mensagem, meu primeiro impulso foi ficar empolgada. Mas aí rapidinho veio aquela sensação de “não sou obrigada, não vão me convencer, não tô nem afim de gritar”. Mas decidi ir, pra ficar pouquinho, no canto, só assistindo, afinal não tinha nada pra fazer (aula da pós cancelada).

Assim que me arrumei, me arrependi da ideia. Já queria desistir. Falei pro Eduardo que talvez não fosse conseguir voltar no metrô. Ele disse que pagava meu táxi. Aí eu fui hheheheehehehehhee. Quando tava no metro em Botafogo, ele disse que ia miar, que tava lá perto já e tinha um monte de gente voltando. Falei que tava com fome, pra ele me esperar lá pra gente comer algo. Cheguei na Uruguaiana 19h30. Realmente, tinha muita gente indo embora. A gente chegou até a andar na Presidente Vargas, mas nós estávamos muito ‘do contra’, andando contra o fluxo, que tava voltando. Resumindo, galera tinha dispersado. Eduardo ficou um pouco decepcionado por perder a manifestação.

Fomos comer na Bob’s, lá perto. Quando saímos de lá, um grande grupo passava pela Uruguaiana, rumo a Carioca. Aí Eduardo foi me levar pro metrô. Tava fechaaaado! Ok, vou de táxi. Decidimos seguir a galera pra chegar numa rua principal e poder ir embora. Fomos seguindo e seguindo e a turma era grande e eles cantavam e xingavam a polícia, tudo na ~paz. Aí falei pro Eduardo “AE, essa é uma manifestação, a gente conseguiu!”. Aí ele “ehhhh…não…”. Chegamos na Rio Branco e mais gente se juntou. OK, era uma manifestação, a segunda parte. Daí, chegamos na Cinelândia e TCHAMRAM, tava todo mundo lá. Todo mundo lindo, uns sentados nas escadarias da biblioteca e do teatro, cantando, com suas bandeiras e tal. Tava bonito.

Dali menos de dez minutos parados, eu vi umas poucas pessoas começarem a correr. Aí eu corri. Puxei o Eduardo e dei uma corridinha. Aí o Eduardo “QUE FOI? Não corre, tá correndo porque???”. Aí eu “Não sei, um pessoal correu, eu corri!”. O Eduardo falou que na segunda (outra manifestação, que ele foi) a namorada dele e uma amiga nossa começaram correr e ele só dizia “não corre”, com medo delas caírem e baterem a cabeça. Aí a gente parou mais longe da concentração. Ele apontou pra onde a policia ficava e provavelmente da onde ela iria sair, e dava pra ver as luzinhas vermelhas. Tava distante, mas dava pra ver. A galera linda ainda, pacífica e cantando quando BOOOOOOOOM. Uma bomba, a gente deu uma leve corrida. Aí falei pra ele não correr. Meu coração acelerou, mas de empolgação, não de medo. BOOOM BOOOM, mais duas bombas e daí geral começou a correr…. Aí né, a gente correu também, mas parou na Rua do Passeio. Ficamos lá e foi quando eu falei: CARA, que maneiro! Quero ver. Ficamos lá um tempo, o pessoal já tinha parado de correr, mas ainda descia muita gente. Eduardo queria que eu entrasse num táxi, mas eles tavam lotados. Decidimos ir pra Lapa. Mas eu queria esperar. BOOOM BOOOM mais perto agora, ai ok, fomos pra Lapa.

Chegamos na Lapa, ê laiá, lotada, muita gente chegando também, os bares abertos, cheios, iluminados…noite na Lapa né. Ainda dava pra ouvir os helicópteros. A gente foi caminhando e paramos no Circo Voador. O Eduardo queria entrar em um bar e sentar. Eu, não. Mais pessoas chegavam, mas tudo de boa. Vi meu ônibus passar e decidi que ia embora. Fomos pra Riachuelo, pro ponto. Aí eu não lembro o que aconteceu direito. Não lembro se foi antes ou depois da gente chegar no ponto (e ver que os ônibus estavam lotados e não estavam parando) que as pessoas começaram a correr. Nessa altura eu ainda falava MANO NÃO CORRE. Aí a gente viu que era a Cavalaria da polícia vindo pela Riachuelo. Pessoal ficou tenso, Eduardo só falou pra gente ficar perto da parede.

Depois disso, decidi que não dava pra ir embora aquela hora, não tinha ônibus, nem táxi, e o transito tava tenso. Ficamos por ali na frente do Circo. Foi quando olhei o whatsapp e fiquei sabendo que uma amiga minha tava sozinha na cinelândia, tentando sair. As coisas por lá estavam caóticas. Falei pro Eduardo que ia atrás dela e ele disse que ia comigo, que era pra ver onde ela tava e falar pra ela encontrar a gente no meio do caminho. Quando consegui ligar, ela já tinha conseguido entrar num ônibus.

Até aí tudo bem, Eduardo queria entrar em algum bar. Falei que queria ver o que tava acontecendo. Ele: vamo, a gente senta e vê na TV. Eu: NÃO, quero ver AO VIVO!. Foi quando as bombas chegaaaaaram na Lapa! Galera começou a vir na nossa direção. A gente deu uma caminhada e chegou num posto de gasolina. BOOOOM BOOOM. Mais bombas. Falei pra gente ficar no posto. Aí o Eduardo: É, tão soltando bomba, se soltarem aqui vai ser legal. Aí nessa altura eu já estava falando TODO e QUALQUER tipo de besteira (pausa pra agradecer o Eduardo por me aguentar). BOOOOOM BOOOM BOOOM, as bombas chegaram mais perto, mas só dava pra ver fumaça ainda. O pessoal começou a correr, aí a gente decidiu se mover. Os bares começaram a fechar, com as pessoas lá dentro.

Os BOOOMs ficaram mais pertos, as pessoas se apressaram e nós entramos na rua do Lavradio, em direção a Riachuelo. Naquela hora, agora eu penso, era mais pânico da galera do que perigo iminente, e isso fez a gente querer correr e até pensar em entrar em algum boteco, mas tava tudo lotado, aí falei que não.

Já na Riachuelo, foram uns 20 minutos e uma caminhada eterna. A gente andava, vinha um BOOM, a gente dava uma corrinha e parava. Ficamos nesse looop por um tempo, porque eu queria ver. Mas não dava pra ver nada, a não ser claro, o 8 ou mais mini ônibus CHEIO de policiais passando, as duas viaturas a 60 km/h que quase fizeram boliche humano e capotaram….quase. Mais motos de policiais e viaturas…e já quase no final, o tão temido CAVEIRÃO. Depois disso, já quase na casa do Eduardo, finalmente resolvi ceder e parar de esperar pra ver. Fomos pra casa dele e eu fiquei lá dando um tempinho pra poder ir pra casa.

Long story short, deu tudo certo…pra gente. Claro que muita gente se machucou, se deu mal, alguns foram presos… Mas olha, mesmo não tendo ouvido falar quase nada do que aconteceu na Lapa na mídia (sem contar os relatos), não achei as informações muito defasadas não…sei lá. Eu sei que eu fui e vivi um pouco, e me perdoem, mas… ADOREI. Não me levem a mal, não sou de longe a favor da polícia descer o cacete da galera da paz (e foi o que aconteceu), e muito menos gostei do vandalismo e de pessoas terem se machucado….mas o que eu senti ali, aquela adrenalina e empolgação que o ~perigo causa, eu amei =x

 

O Brasil acordou…parece que vai continuar ~acordado, mas eu, eu mesma tô de preguicinha na cama mesmo!