The Leftovers e Les Revenants

Eu bem me lembro quando ouvi falar de The Leftovers pela primeira vez. Tava assistindo HBO (Game Of Thrones, O Negócio ou True Blood) quando apareceu a chamada. Era daquelas que aparecia todo intervalo, mas bastou a primeira vez passar pra eu me apaixonar: tocava Retrograde do James Blake e nessa época eu tava perdidamente apaixonada por ele, fora que a premissa da série era muito boa, você está lá vivendo sua vida com as pessoas ao seu redor e de repente BUM, o carrinho do supermercado tá se mexendo sozinho porque quem tava empurrando ele simplesmente sumiu.

Aí sim, comecei a acompanhar a primeira temporada bonitinha e tal (tinha hbo na época, tudo na legalidade, um epi por semana). Lembro que retrograde realmente tocou no primeiro epi, mas também lembro que a parte mais interessante, das pessoas desaparecendo, passou bem rápido e antes do epi acabar já tinha se passado três anos do famoso 14 de outubro.

Enfim, a primeira temporada teve bastante altos e baixos (mais baixos na minha opinião). Não sei como consegui terminar de ver, nem lembro muita coisa. Mas o mais marcante foi a sequencia que a Nora chega em casa e tem uns bonecos representando a família dela, na mesma ‘posição’ que eles estavam quando sumiram. Achei essa a melhor cena da primeira temporada, e uma das únicas que eu lembro.

Com Les Revenants eu não lembro como fiquei sabendo, só lembro que achei a primeira temporada pra baixar em um blog (na real falo mais sobre como achei nesse post). Não lembro quando vi pela primeira vez (depois de ver o post, sei que foi em 2013), mas sei que foi lançada em 2012. Não sabia muito além de que era uma série francesa baseada num filme e se tratava de “gente que morreu e voltou”.

O que mais me empolga sobre Les Rev é que eu fiquei perdidamente apaixonada pela série desde o PILOTO. Isso quase nunca ocorre, pra ser sincera nem lembro quais séries que eu gostava eu comecei a amar desde o primeiro episódio. Só sei que com Les Rev foi assim. De cara a fotografia é muito boa, tão bonita que chamou minha atenção. Os atores eu não conhecia nenhum, todos franceses né, mas também dava pra perceber uma certa realidade na atuação deles, por alguns segundos aquilo parece até real. E caaaara, a trilha sonora! Começa com a abertura, lindona, onde toca Hungry Face do Mogwai. Aliás, Mogwai (que já era uma banda que eu tinha bastante simpatia) compôs toda a trilha da série e o trabalho é lindo porque super combina com a série e casa/acrescenta muito a fotografia. Só vendo pra crer.

Primeira temporada de The Leftovers e Les Rev assistidas. A segunda de Les Rev estava prevista pra sair só em 2015, três anos depois do lançamento da primeira. Esperei ansiosa por isso e só fui assistir quando saíram todos os episódios.

Já a segunda temporada de The Leftovers eu fui ver porque tinha um monte de gente comentando, e eu tinha lido superficialmente que iria ser bem diferente da primeira temporada, então resolvi dar a segunda chance, já que ela não tinha me impressionado muito na primeira vez.

Pra começar a falar das duas séries juntas, já devo dizer que não dá pra comparar muito, apesar de elas terem certas similaridades. Les Revs é sobre pessoas que já morreram e voltam a vida como se nada tivesse acontecido, enquanto The Leftovers é sobre pessoas que sumiram misteriosamente do nada. A construção é um pouco similar, as duas usam flashback pra incrementar a história, e algumas vezes até explicar certas situações. Mas enquanto Les Revs parece seguir uma linha de raciocínio que só não está muito clara no momento, The Leftovers parece estar jogando um grande números de informações novas o tempo todo, sem ter muito que explicar o que cada coisa quer dizer. Particularmente acho isso incrível, já que o povo americano é muito acostumado a ter o plot mastigado pra eles entenderem.

Ou seja, Les Revs é um suspense, onde eles vão dando algumas dicas no caminho, e quando parece que você finalmente sacou alguma coisa, ele te joga uma situação nova, um novo caminho com novas informações. Já The Leftovers parece uma confusão mental, bem ao estilo de Where’s my mind mesmo, onde eles contam uma história, explicam algumas coisas mas maioria do que está acontecendo ainda continua um mistério. É bem legal também porque tudo acaba sendo meio que imprevisível, e as dicas são bem sutis, como a Austrália, mencionada diversas vezes mas nunca explicada 100%, ou o cara da torre ou a mulher que dá a luz no primeiro episódio. E o mais empolgante é que a gente nunca vai saber se vão mesmo explicar tudo. E não faz muita diferença se não explicarem, porque o que poucas pessoas notam é que o objetivo da série não é fazer a gente entender o que são os sumiços repentinos, e sim mostrar como as pessoas podem reagir a situações inexplicáveis. É sobre fé de uma forma que a gente não tá muito acostumado a ver e as questões levantadas são até mais profundas dos que as apresentadas em Les Rev.

Pra concluir, The Leftovers é uma série pra galera com cabeça aberta e que tem paciência pra ver uma história se desenrolar sem precisar ficar perguntando a cada 5 minutos “o que está acontecendo?”. Les Revenants é uma séria mais fácil de acompanhar, também levanta questões bacanas do tipo “e se aquela pessoa que morreu voltasse?” mas é muito mais que isso e caminha também pra alguma explicação, mais do que se pode esperar de The Leftovers.

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