Sobre livros

Acho que é a primeira vez que vou postar sobre livros. Não que eu não goste muito… eu gosto. E, na verdade, não sei porque nunca postei sobre livros. Vai ver é porque eu sou fresca pra isso tanto quanto sou fresca pra comida.  Sofria na escola quando tinha que ler livros que não faziam meu tipo. Hoje em dia é um pouco mais fácil na faculdade… Melhor mesmo são os que eu escolho, e claro, não poderiam deixar de envolver Terror…

Quando eu era bem pirralha (leia-se 10, 11 anos) eu já lia \o/ E não, não era Harry Potter me senti velha agora. Eu lia uma série de livros chamada Arquivo Z. Era sobre um garoto que vivia altas aventuras HEHEHEHE. E tinha todo aquele Q de sobrenatural. Lembro que meu livro favorito era um que ele e um amigo achavam um livro falando sobre a experiência da alma sair do corpo e dar uma volta por aí. Passei bem uma semana tentando fazer aquilo. Depois não sei o que veio primeiro, Harry Potter ou O Diário da Princesa…. mas minha paixão maior sempre foi o Terror…

Um dos meus livros favoritos é O Iluminado (The Shining). Parece clichê né? Mas eu acho dificil achar alguém que tenha lido o livro. Mais dificil ainda é achar alguém que tenha lido o livro e não tenha gostado do filme tipo eu… Sim, grande parte das pessoas consideram O Iluminado o melhor filme de Terror/Suspense EVAH. Poxa, fala sério. Não consigo achar aquele filme nada demais comparado com o livro. Sem querer parecer convencida e desmerecer o Stanley Kubrick, mas eu teria escolhido muito mais cenas legais ao invés de ficar naquela enrolação e também SPOILER acho mil vezes mais legal o final flamejante do livro do que o final congelante e sem sal do filme. Mas quem sou eu né?

OK, essa foi minha brevíssima introdução no mundo dos livros. Na verdade o Post de hoje é pra falar de um livro específico, da Rosa Amanda Strausz, Sete Ossos e uma maldição.


Medo. Um medo avassalador, sutilmente construído. É isso que você vai sentir quando penetrar na atmosfera de ter­ror deste livro. Sem escapatória, completamente seduzido, vai entender que não haverá mais volta. O horror e o so­brenatural farão de você a sua morada. Para sempre. Maldição? Talvez redenção. A escolha é sua.

Sete ossos e uma maldição é um livro de contos de terror para jovens. São exatamente 10 pequenas histórias (no site dela diz 11, mas no livro digitalizado que eu tenho só tem 10 =/):

Crianças à venda. Tratar aqui

Esse é bem interessante. A história é sobre uma família bem pobre. Uma mãe e cerca de 5 filhos. Uma mãe que vende os filhos.  Algo mais sombrio do que o próprio fato sombrio descrito aqui.

“Todos disseram que Marialva era louca e desalmada quando ela pôs os filhos à venda. Até o padre tentou demovê-la de idéia tão cruel. Mas nada adiantou. A mulher era obstinada. “Quero que eles tenham um futuro melhor que o meu”, ela repetia.”

Devolva minha aliança

História envolvendo noiva e cemitério. Parece clichê. Mas parece que nada é clichê nas mãos da autora. Mesmo quando você tem certeza de que algo vai acontecer, quando acontece, você ainda sente aquele calafrio. Não é o melhor conto, mas vale a ideia.

“Pedro e Antônio foram criados na mesma rua, ao fim da qual havia um pequeno cemitério. Pequeno mesmo, assim como a cidade, que não passava de mil habitantes.

Os três cachorros do senhor Heitor

Uma casa mal assombrada, cachorros e senhor muito mal encarado. Fora o final. Sem mais.

“Quando Zé Luiz apareceu morto, atrás do banco da pracinha, a cidade toda correu para ver. Até aí, nenhuma novidade. Cidade pequena é assim mesmo. Morte é sempre notícia. Todo mundo quer olhar, dar palpite, fazer comentários e, no fundo, dar graças a Deus porque não foi ninguém da própria família.”

Dentes tão brancos

O nome dá a dica. História bizarra envolvendo dentes. Porque nada é o que parece.

“Andréia entrou em casa às três de manhã e encontrou sua mãe em pânico.

— Minha filha, o que aconteceu?

— Não sei.

Não era mentira. E estava perturbada demais para inven­tar uma desculpa qualquer.

— Como não sabe? Você sai de casa dizendo que vai a uma festa na casa da Mariana, desaparece sem dar notícias, deixa todo mundo preocupado e ainda diz que não sabe?”

O chapéu de guizos

Criança que ouve vozes, Chinês na parada…

“Ouço vozes. Sempre ouvi, desde muito criança. Para mim, nunca existiu nada de excepcional nisso. Aprendi a dialogar com elas, a perceber quando estavam só zoando de mim, quando falavam sério, ou quando refletiam apenas a solidão de seres exilados num mundo que ainda hoje não consigo adi­vinhar qual seja.”

Sete ossos e uma maldição

História que dá nome ao livro… me lembra histórias que ouvia quando era criança, sobre a boneca da Xuxa.

“Se não fosse pelos pesadelos que vinha tendo nos últimos dias, Clara não acreditaria na orientação recebida da tia. Mas eles não falhavam. Toda noite, uma mulher surgia no meio de seus sonhos e sussurrava: “Meus ossos.” Não conseguia ver o rosto da mulher, nem mesmo suas roupas. Só uma silhueta ameaçadora. E apavorante. Invariavelmente, acordava enso­pada de suor frio.”

O fruto da figueira velha

Desculpem minha imaginação fértil, mas essa história me lembra algo de O Anticristo ( The Antichrist)….

” Denise não acreditava em casa mal-assombrada. Não há nada que dez baldes de tinta fresca não resolvam, costumava dizer. Além disso, ficou louca quando viu o casarão à venda. Era sim­plesmente espetacular. Tinha um excelente terreno para fazer jardim e quintal, três salas imensas, cinco quartos, três banhei­ros e vários cômodos que poderiam ser adaptados. O lugar per­feito para uma recém-casada que pretendia ter muitos filhos.”

A procissão

História tensa. Achei legal e diferente.

“Eram quatro amigos, todos estavam na mesma rua deserta no meio da madrugada, mas foi só Adriano quem viu a procissão. Nem Tomé, nem Carlos, nem Marita perceberam o moti­vo da perturbação do amigo, que parou, de repente, com os olhos arregalados na direção do fim da rua. Bem ali, na curva, ele viu surgir um estranho grupo de mulheres.”

Morte na estrada

Levemente clichê e minha favorita. Vai entender.

“Imagino que todo mundo conheça a história da assom­bração da estrada. Eu conhecia desde pequeno. Meus pais também. Era assim: uma família viajava de carro quando sur­gia uma mulher desesperada à beira da estrada. Pedia socorro, dizia que tinha um carro caído na ribanceira próxima dali com três crianças feridas dentro dele. A família parava e ia até o local. Ao chegar lá, descobria um carro acidentado.”

O elevador

13°, Não? Ok, não. Um elevador com vida, maybe…

“O prédio era bem antigo. Oito andares. À época da constru­ção, foi considerado um dos mais luxuosos da cidade. Em 1930, nenhum edifício tinha oito andares, porque ninguém queria subir tanta escada, e elevador custava muito caro. Além disso, as pessoas tinham medo de subir tão alto naquela caixa de madeira — que, ainda por cima, nos primeiros tempos, vivia enguiçando. Por isso, além de elevador, o prédio também pos­suía um ascensorista, que trabalhava uniformizado, vestido como se fosse um general em dia de festa.”

O bom dos contos é que você vai direto ao ponto na história. Sem muita enrolação e informação desnecessário. A parte ruim desses contos é que eles acabam na hora H. Você tá lá desejando que tenha só mais um pouquinho de história, mas era isso. O resto fica a cargo da sua imaginação. Leiam cara, vale a pena!

Sobre a autora, uma breve história: nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de junho de 1959. Formou-se em Jornalismo pela Escola de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Após trabalhar em diversos órgãos da imprensa, dedicou-se exclusivamente aos serviços de texto em suas diversas feições: redação empresarial, roteiros, webwriting e projetos editoriais.(http://www.bmsr.com.br/autores/detalhe_autor.asp?cod=Rosa%20Amanda%20STRAUSZ )

Ela também tem um blog que serve de site:

http://rosaamandastrausz.wordpress.com

Espero que curtam e até a próxima!

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